segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Biografia - José de Alencar


Biografia:

Romancista, jornalista, político, advogado, orador, crítico, cronista, polemista e dramaturgo, José de Alencar (Messejana, CE, 1829 – Rio de Janeiro, 1877) formou-se em Direito e iniciou a atividade literária no “Correio Mercantil” e “Diário do Rio de Janeiro”.
Til ‘ foi publicado no ano de 1872, e se enquadra na escola literária do Romantismo. José de Alencar escreveu em três fases sua literatura – Indianismo ou Nacionalismo, Regionalismo e Prosa Urbana – o livro em questão pertence ao momento da Prosa Regionalista do autor, possuindo características desse período.

Til, escrito em 1872, pertence à fase regionalista da obra do autor, que inclui ainda livros como O gaúcho, O sertanejo e Tronco do ipê. Essas obras têm alguns elementos comuns, como retratar os costumes, a linguagem e a vida rural do século XIX. Também apresentam características românticas, como a idealização da natureza, a subjetividade e os enredos românticos.



Síntese:
Os protagonistas são Berta, Miguel, Linda e Afonso. Numa fazenda do interior paulista, segredos, desencontros amorosos e renúncias integram o enredo, bem dentro dos paradigmas do romantismo. Basta verificar a forma como alguns personagens são construídos.
A história gira em torno de paixões. Linda e Afonso são irmãos gêmeos, filhos de Luís Galvão e Dona Ermelinda. Linda ama Miguel, e Berta e Miguel se amam, mas, para que a amiga Linda não sofra, Berta consegue que Miguel se apaixone por Linda. Trata-se de uma estrutura narrativa em que os sentimentos comandam as ações.
Outro exemplo está na história de vida de Berta. De bom coração, ela visitava constantemente Zana, uma mulher com problemas mentais. O menino Brás, porém, também com alguma deficiência, sente ciúmes da protagonista e tenta matá-la. Repreendido pela heroína, arrepende-se.
O leitor fica sabendo que Brás era filho de uma irmã de Luís Galvão, que morrera viúva, e, por isso, ele vivia na casa de seu tio. Ele dera ainda a Berta o apelido de Til, pois, quando ela lhe ensinou o alfabeto, ele achou o til um sinal “gracioso”, associando-o a ela.
As rocambolescas ações do livro têm outros pontos altos. Um deles é quando Luís Galvão revela ser o pai de Berta com Besita, a moça mais bonita da cidade a quem ele seduziu e por quem Jão Fera, matador profissional, estava apaixonado em vão. Ele, porém, a pedido de Berta, se compromete a não cometer mais atos violentos e passa a trabalhar no campo.
Nhá Tudinha, mãe de Miguel, por sua vez, adota Berta como sua filha. Luís, no entanto, pede a Berta que vá morar com ele e sua família em São Paulo, mas ela se nega e pede que leve Miguel, apaixonado por Linda. Miguel tenta convencê-la a ir junto, mas ela recusa, ficando no interior. Bem ao estilo romântico, declara: “Não, Miguel. Lá todos são felizes! Meu lugar é aqui, onde todos sofrem.”
A narrativa é conduzida com leveza ao gosto dos sentimentos dos quatro adolescentes. Eles mudam pouco ao longo da história, o único que altera seu comportamento, graças à boa influência da protagonista, é Jão Fera. Os episódios vão se acumulando sem grandes tragédias, embora sempre pareça que elas vão acontecer. O ponto mais forte é a valorização do interior do país e da vida bucólica como respostas a um país onde as cidades já começavam a ganhar maior importância.
Personagens  - Descrição 
Berta, Inhá ou Til é a personagem central do livro, filha bastarda do fazendeiro Luis Galvão com uma pobre moça da vila (Besita que foi morta por vingança) foi criada por nhá Tudinha. Berta é uma adolescente muito bonita, graciosa, com movimentos espontâneos e encantadores, atrai para si o amor e carinho de todos, é caridosa e não se afasta das criaturas mais repulsivas e desprezadas da região (como Jão Fera, o louco Brás, e Zana). E’ chamada de Inhá por Miguel, e de Til por Brás durante uma aula que dava a ele, já no fim do livro se intitula TIL, mostrando uma escolha que fará no romance. ela própria.
Miguel é irmão de criação de Berta, filho de nhá Tudinha, jovem que se mostra desde o principio apaixonado por Inhá. Esta porém não percebe que o ama e faz de tudo para aproxima-lo se dua amiga Linda, que gosta de Miguel. Sendo pobre, Miguel nao poderia casar-se com Linda, mas por fim ele acaba estudando para ascender socialmente e poder unir-se a Linda (o carinho que por ela “descobre” sentir foi pintado por Berta que colocou seu encanto na faces serenas da amiga).
Luis Galvão é o dono da Fazenda Palmas, muito jovial e alegre, que na juventude foi homem de muitas aventuras amorosas e enrascadas – numa dessas desonrou Besita recém casada com Barroso a qual ficou grávida de Berta - sempre protegido por seu camarada (“espécie de capanga”) Jão Fera.
Linda é filha de Luis Galvão e D. Ermelinda, menina educada aos moldes da corte, mas que junto ao irmão Afonso faz amizade com os jovens simples Berta e Miguel.
Afonso, irmão de Linda, possui o mesmo espírito alegre e conquistador do pai Luis, acaba gostando de Berta (sem saber ser esta sua irmão de sangue)

 Jão Fera ou Bugre - terrível homem, de feições assustadoras e fama de matador (que na verdade é), segundo uma interpretação do livro podemos considerar que a vida o tornou assim (foi cheio de desilusões e sofrimentos). Era apaixonado por Besita, porém apesar de seu desejo a tinha como “santa” e queria apenas sua felicidade pois sabia que ela não o amaria como ele. Assim quando Luis Galvão se recusou a casar com ela, ele rompeu a “amizade” que os unia, protegia Besita de tudo, porém ela foi assassinada e ele passou a cuidar de Berta e prometeu vingança a sua amada.
Brás - um sobrinho de Luis Galvão que sofria de ataques epiléticos e era retardado mental. Na casa grande sua presença era desprezada. Ele apaixonou-se por Berta que nunca o destratara e propôs-se a ensinar-lhe o abecedário e rezas. Numa das lições ele se encantara pelo acento til porque o compara à sobrancelha de Berta e conseguiu memoriza-lo.  Assim Berta teve uma resolução seu apelido para Brás seria Til e a partir dai foi ensinando as letras com associações a coisas ou pessoas que o idiota conhecia.
Zana – negra que trabalhava para Besita e presenciou toda a história de Berta e do assassinato de sua mãe, por isso enlouquecera.
* Barroso ou Ribeiro – casou-se com Besita, mas na noite de núpcias a abandonou para resolver negócios relacionados a uma herança que recebera. Partiu e ficando anos longe de casa, quando voltou viu sua esposa com um bebê. Planejou sua vingança ( a morte de Luis, Berta e sua filha). Matou a esposa, mas foi impedido de matar o bebê por Jão Fera.
* D. Ermelinda – esposa de Luis Galvão, muito elegante e educada, mas não muito bela. Ao descobrir sobre o passado de seu marido se entristece , mas quando ele confessa (no final do romance) ela o apoia ao reconhecer Berta como filha.
Características da Obra
* Trata-se de um romance Regionalista da escola literária do Romantismo, seu autor, Jose de Alencar busca mostrar a vida do Caipira do interior de São Paulo do seculo XIX, vocabulário e costumes da região,  as diferenças sociais da época (escravos, capangas, pobres e ricos donos de terras).
* O Romance se passa na região de Campinas, interior de SP, onde ha’ o contraste entre aspectos sociais, marginalização que sofrem personagens pobres como Miguel (que para casar-se com Linda teve de ir estudar na capital). Mostra-se também um pouco do namoro da época e festas como a de São João.
* Mostra-se o ambiente dos escravos e senzala e seus conflitos como a rivalidade entre duas negras, além da marginalização consciente dos escravos como Faustino e Monjolo, os quais conspiram para a morte de Galvão.
* O Romance, publicado em 1872, segue o clima do Folhetim em que os capítulos são curtos e terminam num momento de climax. Além disso, a temática do suspense e do soturno são marcas registrados da obra, que é repleta de aventuras, momentos de tensão como quando Berta corre perigo fugindo de Porcos selvagens furiosos.
 * No Livro, Berta é sempre comparada a Flor, no capitulo inicial surge uma imagem de flor bela, mas imatura; já no fim do livro (no poente do sol) a imagem da flor se repete mostrando a “Flor Interior” cheia de caridade e abnegação. O autor cria assim uma ideia nítida de desabrochar, pelos trechos:
[ Manhã: "Eram dois, ele e ela, ambos na flor da beleza e mocidade" e no Poente: "Era a flor da caridade, alma soror" ]
* Berta sacrifica-se para que todos vivem em paz e felizes, faz com que Miguel e Linda fiquem juntos, e se resigna a cuidar dos que mais sofrem como Zana, Brás, Jão Fera (a quem ela reconhece como o seu verdadeiro Pai), a galinha sem pernas, etc, e continua morando com nhá Tudinha.
[“Como as flores que nascem nos despenhadeiros e algares, onde não penetram os esplendores da natureza, a alma de Berta fora criada para perfumar os abismos da miséria, que se cavam nas almas, subvertidas pela desgraça.”

* Como romance Romântico que é, em Til as personagens são idealizadas – por exemplo a heroína da trama, Berta, alem de ser encantadora e linda é dotada de valores sublimes como Generosidade com os mais desafortunados (exemplo a escrava louca chamada Zana e Brás que é deficiente); coragem para enfrentar os mais temidos – como Jão Fera – alem de situações de perigo como quando é quase atropelada por uma manada de queixadas (porcos do mato) …
* A narrativa é em terceira pessoa, com narrador onisciente que não é impessoal, pois toma sempre partido de Berta.
* Como um dos objetivos do autor é mostrar características da vida no interior de São Paulo, ele coloca no enredo falas típicas, como diálogos entre capangas e trabalhadores da fazenda; passagens em que descreve a natureza da região; mostra diferenças entre a vida rústica e caipira do interior com a dos centros mais refinados (na época a região Fluminense do Rio de Janeiro)

Contexto histórico

       O Brasil passava por uma série de mudanças visando à urbanização, porém ao mesmo tempo em que São Paulo e Rio de Janeiro se expandiam e modernizavam, tinham seus costumes influenciados pela cultura europeia, já a sociedade rural mantinha traços arcaicos.
      Essa também era a época em que romances eram publicados em folhetins, portanto, os autores mostravam  esse lado mais rural brasileiro , afastado do centro imperial que preservava a cultura e costumes anteriores para o centro que estava se expandindo.
       






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